Sobre a Conferência
O investimento nos primeiros anos de vida é determinante para uma sociedade equitativa, humanizada e próspera. Garantir qualidade de vida a bebés e crianças significa acesso a condições que assegurem saúde, desenvolvimento, aprendizagem, bem-estar, participação. Hoje a evidência é clara: investir cedo transforma trajetórias de vida.
A Conferência "Em Rede pelos Primeiros Anos", promovida pela Fundação Bom Sucesso, reúne decisores, especialistas, profissionais e organizações para refletir sobre os desafios que se colocam nos primeiros anos de vida e sobre a importância de alinhar conhecimento, práticas profissionais e políticas públicas.
Mais do que um momento de reflexão, este encontro pretende reforçar o imperativo de uma agenda comum para a infância: criar respostas mais integradas, apoiar melhor as famílias e colocar os primeiros anos no centro das prioridades coletivas.
A participação é gratuita, mediante inscrição obrigatória, e sujeita à lotação do auditório. Participe neste encontro e junte-se a quem acredita que o futuro se constrói desde o nascimento.
A Rede de Parceiros pelos Primeiros Anos
A Rede de Parceiros pelos Primeiros Anos é uma rede nacional constituída por entidades públicas, privadas e do setor social, que tem o objetivo comum de defender e demonstrar, com estudos e práticas, a importância dos primeiros anos no desenvolvimento da pessoa ao longo da vida.
Nasceu em março de 2021, no âmbito da Campanha First Years, First Priority, uma iniciativa/campanha europeia que procurou manter o desenvolvimento infantil no topo da agenda social e política, promovendo uma forte comunidade de defensores dos primeiros anos, a nível nacional e europeu.
A Rede mantém-se ativa, dando seguimento ao trabalho desenvolvido no âmbito da campanha e à mobilização conjunta dos seus parceiros, com o propósito de continuar a influenciar políticas e investimentos e a promover uma abordagem integrada e multissetorial ao desenvolvimento infantil.
Defende que uma maior consciência da sociedade sobre a importância dos primeiros anos de vida e sobre os direitos da criança no processo de desenvolvimento humano, contribuirá para a construção de uma sociedade mais saudável e sustentável e, por isso, pretende continuar a influenciar investimentos e políticas públicas para a garantia de oportunidades adequadas ao desenvolvimento de todas as crianças.
Parceiros da Rede
A Fundação Bom Sucesso
A Rede é atualmente coordenada pela Fundação Bom Sucesso.
A Fundação Bom Sucesso dedica-se, há mais de 75 anos, à promoção da saúde e do desenvolvimento infantil, com especial atenção às crianças, aos jovens e às famílias em situação de maior vulnerabilidade.
Acreditamos que todas as crianças devem ter acesso a cuidados de saúde de qualidade, bem-estar e oportunidades que lhes permitam desenvolver plenamente o seu potencial. No Centro de Saúde da Criança da Fundação, prestamos cuidados de excelência, capacitamos famílias e promovemos a literacia em saúde, através de respostas diferenciadas, integradas e ajustadas às necessidades específicas de cada criança.
Para nós, a saúde constrói-se diariamente. Cuidar significa muito mais do que tratar uma doença ou resolver um problema pontual. Significa conhecer cada criança, cada jovem e cada família, acompanhar o seu percurso de crescimento e desenvolvimento, antecipar necessidades e garantir uma intervenção coordenada e multidisciplinar. Atualmente, esta abordagem é assegurada por uma equipa que integra 17 especialidades, trabalhando de forma articulada para promover o bem-estar físico, emocional e social de cada criança.
Desde 1951, fazemos da proximidade, da continuidade dos cuidados e da intervenção centrada na criança os pilares da nossa atuação. É este modelo integrado, humano e diferenciador que continua a orientar a nossa missão: contribuir para que cada criança tenha a oportunidade de crescer mais saudável, mais feliz e com um futuro cheio de possibilidades.
Fundação Bom Sucesso - Onde a Saúde Cresce (vídeo institucional)
Programa
O Programa da Conferência reúne decisores, especialistas, profissionais e organizações em torno dos temas mais relevantes para os primeiros anos de vida, promovendo um diálogo entre a ciência, a prática e as políticas públicas.
A sua conceção contou com a consultoria científica de Alexandra Marques, Infância 0.9 – Consultoria e Inovação.
O evento será também um espaço de partilha de projetos, experiências e práticas na área dos primeiros anos, através de showcases, integrados no programa, e de posters selecionados, em exposição no biombo à entrada do auditório. Uma oportunidade para conhecer diferentes iniciativas e inspirar para a ação.
A Conferência terá como anfitriã Fernanda Freitas, que nos acompanhará ao longo deste encontro.
09:30 - Sessão de Abertura
10:00 - Infância: a Singularidade e Pluralidade de Ser Criança na Sociedade Contemporânea
Celebrar e proteger a infância é o primeiro dever de uma sociedade que se pretende justa, humana e voltada para o futuro. Honrar a singularidade e a pluralidade deste tempo inicial significa desenhar serviços que acolhem, sistemas que protegem e comunidades que escutam. Ao assegurar um começo de vida pleno de afeto, segurança e estímulo, não estamos apenas a salvaguardar o presente mais vulnerável, estamos a lançar as fundações de uma humanidade mais empática, criativa e resiliente, onde cada pequeno percurso tem o direito absoluto de florescer com qualidade e alegria.
10:35 - Investimento na Educação e Cuidados na Primeira Infância - "O custo de não fazer nada"
A investigação científica e a economia do desenvolvimento humano já comprovaram que o investimento na primeira infância não é um custo, mas uma estratégia de alto retorno. Estudos liderados pelo Prémio Nobel da Economia, James Heckman, demonstram que cada dólar aplicado nesta fase inicial gera uma taxa de retorno anual de 7% a 13%, refletida em maior produtividade, melhores salários e melhor saúde na idade adulta. O painel “Investimento na Educação e Cuidados na Primeira Infância – O custo de não fazer nada” convida-nos a inverter a perspetiva clássica: qual é o verdadeiro preço de falharmos com as nossas crianças?
Falhar na infância exige orçamentos severamente mais altos em remediação escolar, cuidados de saúde crónicos, subsidiação social e segurança pública. Em suma, ignorar os primeiros anos de vida custa infinitamente mais caro do que qualquer investimento inicial em saúde materno-infantil, educação, proteção social.
11:10 - Intervalo
11:40 - Parentalidade e Vínculo: Ecos ao Ciclo de Vida
Pensar a infância implica reconhecer que a qualidade da vinculação entre a criança e os seus cuidadores é determinante para o seu bem-estar, aprendizagem e desenvolvimento, com impacto na vida futura, que se reflete na qualidade relacional do adulto. Compreender a criança, os seus cuidadores e a forma como se constrói a relação primária é essencial para que os profissionais, em particular os da saúde, promovam uma parentalidade sensível e responsiva, ajustada às necessidades de cada etapa do desenvolvimento.
Daniel Sampaio, Joana Garcia da Fonseca e Paula Oliveira.
12:15 - Showcases
Momento dedicado à apresentação de soluções, ferramentas, abordagens ou experiências inovadoras, com potencial para inspirar e fortalecer as respostas dirigidas à infância, bebés e crianças, nos setores da saúde, educação e intervenção social.
13:00 - Almoço (Livre)
14:30 - Momento Musical
14:45 - Construir a Qualidade em Educação de Infância (0-6 anos)
Dispor de um referencial nacional de qualidade para a educação de infância não é uma escolha pedagógica, mas um imperativo ético, social e político para o desenvolvimento de qualquer país. O painel “Construir a qualidade em educação de infância (0-6 anos)” pretende debater sobre a urgência de uma visão e indicadores claros que garantam a excelência dos serviços desde o nascimento até à transição para o ensino básico. Ao definir padrões claros e transversais, o país assegura a equidade no acesso, orienta as práticas dos profissionais e transforma as respostas de educação e cuidado num verdadeiro pilar de coesão social e igualdade de oportunidades.
Ana Teresa Brito, Cecília Aguiar, Corina Hatzinikolaou e Sara Barros Araújo.
15:35 - O Contributo das Neurociências: Desenvolvimento da Arquitetura Cerebral
As descobertas na vanguarda da neurociência transformaram radicalmente a nossa compreensão sobre os primeiros mil dias de vida, revelando que a arquitetura cerebral do bebé é moldada de forma permanente pelas suas experiências relacionais. É fundamental saber que fenómenos como a plasticidade cerebral e o impacto do stress tóxico são fundamentais para criar respostas acessíveis a todos. Os profissionais da saúde, educação e segurança social, podem transformar a evidência científica numa prática poderosa de apoio às famílias e de proteção às crianças desde o nascimento.
16:15 - Roteiro das Políticas Públicas
Este painel reúne líderes municipais nas áreas da Educação, Saúde e Ação Social para debater o roteiro de política pública para os primeiros anos de vida; para conhecer alguns programas e medidas locais, na administração de proximidade, que moldarão o futuro do suporte às famílias e às crianças. Num momento em que a intersectorialidade é reconhecida como o único caminho eficaz para proteger a infância, este debate pretende focar-se na visão integrada entre setores e níveis de governança, procurando alinhar respostas sociais robustas, cuidados de saúde universais e educação de qualidade desde o nascimento.
17:00 - Conclusões e Próximos Passos
17:15 - Encerramento
Oradores
Alexandra Marques
Educadora de infância, com um percurso que cruza o desenvolvimento comunitário, a educação de adultos e a formação de docentes.
Ana Teresa Brito
Professora Auxiliar com Agregação no ISPA - Instituto Universitário, onde dirige a Escola de Educação.
Cecília Aguiar
Professora Associada no Departamento de Psicologia e investigadora no CIS-IUL - Centro de Investigação e Intervenção Social.
Corina Hatzinikolaou
Professora Associada de Psicopatologia do Desenvolvimento na Escola de Educação de Infância da Universidade Aristóteles de Salónica (AUTH), Grécia.
Daniel Sampaio
Médico Psiquiatra, Terapeuta Sistémico e Familiar.
Fernanda Freitas
Jornalista e Empreendedora Social.
Joana Garcia da Fonseca
Psicóloga Clínica, Psicoterapeuta e Terapeuta Sistémica e Familiar.
Madalena Lopo Tuna
Médica Pediatra e Neonatologista.
Miguel Herdade
Diretor Executivo na Fundação Jerónimo Martins, com o pelouro das Comunidades e Parcerias.
Paula Oliveira
Psicóloga Clínica, Professora Auxiliar na Escola de Psicologia da Universidade do Minho.
Paulo Guerra
Juiz Desembargador no Tribunal da Relação de Coimbra.
Pedro Cunha
Gestor Sénior na Fundação Calouste Gulbenkian.
Rita Silva Costa
Presidente do Conselho Executivo da Fundação Bom Sucesso.
Sara Barros Araújo
Professora Associada da Faculdade de Educação da Universidade Técnica do Porto (FE-UTPorto).
